quarta-feira, setembro 02, 2015
refugiados
quem me conhece bem sabe que sou um curioso sobre tudo o que se passa no médio oriente em termos culturais e sociais. não tenho curiosidade em visitar aquela região do globo, apenas por um motivo: prezo muito a minha vida e quero estar junto dos meus durante muito tempo.
mas mantenho-me informado sobre o que se tem passado na zona, principalmente nos últimos 12 meses. é inacreditável. vi (à distância de um computador) coisas que não queria ver e li coisas que não queria ler. tudo o que se tem passado de conflitos e chacinas, deveria ter ficado enterrado na vergonhosa época dos descobrimentos.
as famílias fogem dali. a única solução é fugir do país que os viu nascer, do país que os educou, do país que lhes deu emprego, do país onde pertencem todas as gerações da sua família. ou são mortos. as famílias assistem à morte uns dos outros, enquanto os corpos desmembrados e queimados se vão acumulando em poças de sangue e terror. assim que uma aldeia está devastada, altura de visitar a próxima. as dezenas de mortos passam para centenas, milhares...dezenas de milhar.
fogem como podem. sem dignidade, como ratos.
as crianças, os idosos, as mulheres grávidas. fracos e com fome, atravessam milhares de kilómetros em condições inacreditáveis. para quê? fugir à guerra. fugir à morte. fugir a ver a família e amigos serem assassinados. querem apenas dormir descansados à noite. algo que eu e todos os que me estão a ler fazem, sem pensar muito nisso. sem dar valor a isso. é algo adquirido na nossa vida. acordamos, saímos de casa, estamos com a nossa família e amigos e temos a certeza que os vamos voltar a ver no dia seguinte. voltamos para casa, jantamos e adormecemos. sem problemas. há décadas que assim é. continuará a ser assim, se tudo se mantiver inalterado. eles são diferentes de nós? não.
há coisas que me deixam angustiado desde que fui pai. quando digo angustiado, é no sentido literal e visceral.
quem me conhece bem sabe que sou um curioso sobre tudo o que se passa no médio oriente em termos culturais e sociais. não tenho curiosidade em visitar aquela região do globo, apenas por um motivo: prezo muito a minha vida e quero estar junto dos meus durante muito tempo.
mas mantenho-me informado sobre o que se tem passado na zona, principalmente nos últimos 12 meses. é inacreditável. vi (à distância de um computador) coisas que não queria ver e li coisas que não queria ler. tudo o que se tem passado de conflitos e chacinas, deveria ter ficado enterrado na vergonhosa época dos descobrimentos.
as famílias fogem dali. a única solução é fugir do país que os viu nascer, do país que os educou, do país que lhes deu emprego, do país onde pertencem todas as gerações da sua família. ou são mortos. as famílias assistem à morte uns dos outros, enquanto os corpos desmembrados e queimados se vão acumulando em poças de sangue e terror. assim que uma aldeia está devastada, altura de visitar a próxima. as dezenas de mortos passam para centenas, milhares...dezenas de milhar.
fogem como podem. sem dignidade, como ratos.
as crianças, os idosos, as mulheres grávidas. fracos e com fome, atravessam milhares de kilómetros em condições inacreditáveis. para quê? fugir à guerra. fugir à morte. fugir a ver a família e amigos serem assassinados. querem apenas dormir descansados à noite. algo que eu e todos os que me estão a ler fazem, sem pensar muito nisso. sem dar valor a isso. é algo adquirido na nossa vida. acordamos, saímos de casa, estamos com a nossa família e amigos e temos a certeza que os vamos voltar a ver no dia seguinte. voltamos para casa, jantamos e adormecemos. sem problemas. há décadas que assim é. continuará a ser assim, se tudo se mantiver inalterado. eles são diferentes de nós? não.
há coisas que me deixam angustiado desde que fui pai. quando digo angustiado, é no sentido literal e visceral.
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